domingo, 8 de março de 2015

[Curiosidades 05] A.G. Cohen e o uso de pseudônimos por mulheres na literatura

Começo essa publicação parabenizando todas as mulheres pelo seu dia internacional, no dia 8 de março. 

Escolhi falar de pseudônimos porque eles foram um artifício recorrente para que autoras mulheres pudessem publicar. Um dos casos antigos mais conhecidos é o das irmãs Brontë. No século 19, as irmãs Brontë – Anne <3, Charlotte e Emily – publicaram poemas e romances sob as identidades masculinas Acton Bell, Currer Bell e Ellis Bell. Interessante que elas resolveram continuar irmãs mesmo assim, né? Respectivamente Charlotte e Emily ficaram bastante conhecidas pelos seus romances "Jane Eyre" e "O Morro dos Ventos Uivantes".  

Essa mudança de nomes para o masculino costumava acontecer devido a discriminação e falta de direitos das mulheres em seus respectivos países de origem, mesmo na Europa. Li em algum lugar que ocorria de mulheres serem proibidas de ganharem dinheiro e depois, proibidas de ganharem mais que os maridos.

Hoje ainda há escritoras que escolhem escrever com pseudônimos masculinos, apesar de, para mim, isso parecer restringir-se a áreas da literatura ainda dominada por homens, como os suspenses policiais. Uma jogada comum entre autores estrangeiros é a de utilizar somente suas iniciais. P.D. James, por exemplo, com ampla obra neste estilo literário se chama Phyllis Dorothy James, e eu nunca imaginei que fosse uma mulher. Mais recentemente, a queridinha de muitos leitores de minha geração, J. K. Rowling, cujo nome real de casada é Joanne Murray, escolheu publicar a "saga" de um detetive, estilo Agatha Christie, sob o pseudônimo Robert Galbraith, ainda que digam que isso foi apenas uma jogada de marketing. 

Mas, assim como P.D. James, a atitude de utilizar somente as iniciais é bastante comum e acaba mesmo confundindo muitos leitores sobre o gênero do autor. Alguns casos são: J. D. Robb (que é a famosa Nora Roberts, cujo nome real é Eleanor Marie Robertson), J.R. Ward (que também publica sobre o nome Jessica Bird, mas é nascida Jessica Rowley Pell Bird), minha queridinha P. C. Cast (que se chama Phyllis Christine Cast e escreve com sua filha Kristin a série House of Night e sozinha a série Deusas) e até mesmo E. L. James (chamada  Erika Leonard James, que quando chegou a ser conhecida aqui no Brasil já se sabia ser a mulher que escreveu a trilogia 50 tons de cinza, mas que começou a escrever sob a proteção de suas iniciais em caso de hostilização).

E já que estou falando de modificação de nomes, há também muitas autoras que apenas escolhem escrever utilizando outros nomes femininos. Por exemplo Meggin Patricia Cabot, já foi publicada com três diferentes pseudônimos: Meg Cabot, Patricia Cabot, Jenny Carroll; ou Madeleine Wickham, que publicou muitos livros como Sophie Kinsella e hoje em dia também utiliza seu próprio nome.

Bom, escolhi falar sobre isso, mas podia ter escolhido outras conquistas que nós, Mulheres com M maiúsculo tivemos dentro da literatura. Como não ao menos mencionar Katniss e Hermione e muitas outras Heroínas com H maiúsculo para ninguém botar defeito, que estão tomando a literatura infanto-juvenil nessa geração pós-Girl Power? 

Vários leitores sabem que escrevo e almejo um dia publicar meu livro (e porque não, muitos outros além do que já escrevi?). Às vezes, penso se devo utilizar meu nome completo, apenas o sobrenome da minha mãe (que gosto mais) ou apenas o do meu pai (mais fácil) ou quem sabe apenas minhas iniciais como coloquei no título dessa publicação. Ainda não cheguei a uma conclusão. Gosto muito de me chamar Anne, mas quem sabe um nome totalmente novo? 

O que você faria? 
Me dê sua opinião.

Meu lado A. G. Cohen agradece ; -)