terça-feira, 11 de agosto de 2015

[Resenha 30] Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

*** Dos Primórdios das Distopias ***


Terminei esse livro durante a Maratona Literária de Inverno 2015
(Semana temática 1 - Distopia; Desafio Adaptação Cinematográfica)




Sinopse: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury , é de fato uma das maiores obras-primas de ficção científica de todos os tempos. Ou seria, se se tratasse realmente de ficção científica. Fahrenheit 451 é, na verdade, uma obra de ficção política, uma distopia, ou antiutopia, na linha e na linhagem do 1984 de Orwell e do Admirável mundo novo de Huxley (com os quais, não por acaso, forma a grande tríade das distopias literárias do século XX). A presente reedição pelo selo Globo de Bolso, além do suplemento de leitura didático que marca a coleção, conta ainda com um posfácio do próprio Bradbury, em que ele narra de forma bem-humorada as condições em que o livro foi escrito.

Opinião:

Eu não diria que gostei de Fahrenheit 451, mas gostei de ter lido.

Fahrenheit 451 é considerado um clássico. O livro é dividido em três partes e achei a primeira a melhor. Nela somos apresentados a Guy Montag, que é um bombeiro em uma sociedade distópica em que bombeiros não apagam fogo, mas colocam fogo nas coisas. Na verdade, não "nas coisas", mas em livros e, às vezes, em casas de pessoas que possuem livros.

451°F = 233° Celsius é a temperatura da queima do papel.

Montag quer dizer segunda-feira, em alemão, e durante o livro todo eu fiquei pensando se havia uma relação, se eu podia fazer algum tipo de paralelo com isso, com o nome do cara, mas não pesquisei a fundo e não cheguei a nenhuma conclusão sobre isso, então, voltando a resenha. Guy Montag, um bombeiro as avessas, conhece uma garota de 17 anos, Clarisse, na rua. Eles conversam e de algum jeito o que ela fala, atinge e marca os pensamentos dele. Uma pequena chama é acesa em Montag e vemos aos poucos ele perceber a futilidade das relações e dos valores de sua época. 


A segunda parte do livro apresenta melhor todo o pano de fundo da sociedade em que o livro se passa. Nela se dá a evolução desta "chama" que começa a deixar Montag desesperado. Sua esposa Mildred (nomezinho hurríveu!) que aparece no início da história tentando cometer suicídio e é salva por Montag e uns enfermeiros bizarros, aparece também na segunda parte demonstrando ser totalmente alheia ao mundo ao seu redor, acreditando em tudo que a televisão diz sobre a situação do país, ficando escandalizada quando Montag insinua ir contra as ideias comumente veiculadas. 


Montag mostra para a mulher seu pequeno acervo de livros furtados ("O homem que roubava livros"? rs) que fica apavorada. Ele tenta trazê-la para "seu lado da força", tenta mostrar a ela tudo que descobriu nos livros e ela foge "como o Diabo foge da cruz" (estou cheia dos ditados hoje, hein? rsrsr), voltando para "A família", que consiste em uma sala com televisores que se enxergam e interagem seguindo a uma peça previamente escrita e que os personagens (no caso a mulher de Montag e suas amigas) seguem. 


Sim, você vai dizer que isso é uma crítica à família e à televisão, e não estará errado. Por sinal, percebi muitas vezes e muito forte no livro a aversão à televisão e à tecnologia em geral, entremeado na história e nas ações dos personagens.


Apesar de parecer interessante, essa parte para mim foi muito penosa de ler. A partir da metade da segunda parte, o discurso do autor se tornou muito "rebelde", um "político forçado" e muito idealizador, sonhador. Não sei explicar exatamente, mas senti como se o pano de fundo de "livro" se rasgasse e eu estivesse lendo um discurso sonhador político de um escritor que disfarçou suas ideias de história para tentar "catequizar" alguns seguidores. 


Ok, isso pode ter parecido duro, mas sinceramente, foi assim que me senti. Fui seduzida por uma fala pró-livros, pró-sabedoria, pró-pensamento livre e acabei enjoada e enojada com a parte dois e o inicio da parte três do livro.


A parte três tem mais ação e o final foi interessante. Não sei exatamente o que eu esperava que acontecesse, mas não foi como eu esperava. Foi mais "esperançoso" que o que imaginava. Houve outros discursos pró-livros e uma parte até de se emocionar, quando o autor analisa o que se passou, através de um personagem bastante inusitado, que eu gostaria de ter conhecido melhor. Esse personagem me lembrou um pouco uma parte de "Feios"(Scott Westerfeld).


Por falar nisso, percebi muitos elementos em comum com as distopias atuais, mas achei que "Jogos Vorazes" (Suzanne Collins) e "Divergente" (Veronica Roth) pouco se parecem com essa história, se tirarmos o elemento distópico deles. Um detalhe interessante: Montag e todos os personagens (exceto Clarisse, que não aparece depois da primeira parte) são adultos. Montag tem 30 anos e o Capitão Beatty, o professor Faber e o grupo que aparece no final da história são velhos até. 

Outro elemento que me fez pensar nas distopias atuais foi o "Sabujo Mecânico", um cão robô de caça que me lembrou muito os Verdugos que estão presentes em "Maze Runner" (James Dashner) e não descarto que os bisnetos dos Sabujos tenham sido inspirados neles.

Senti falta em "Fahrenheit 451" de uma (mesmo que pequena) explicação de como o mundo veio a ficar daquele jeito, mas sei que não era essa a intenção do autor. Ele, ainda assim, mostrou a que veio. O texto é fácil (em comparação com o pouco que li de "1984"), a densidade do texto se dá no conteúdo.

Fahrenheit 451 é um livro que eu não gostei, mas gostei de ter lido. 
Agora ficou claro? ;-)


Recomendaria?? Sim, e muito, para quem gosta de distopias. Apesar de não ter  muito da sensação que as distopias modernas tem, tem todos os elementos e muitas referências dele em outros livro atuais do gênero.

Releria?? Não. Não sou fã de distopias, não pretendo reler. Não descarto a possibilidade de voltar a ele para buscar citações e referências, mas não releitura.