terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

[Filmologia II] O Homem Duplicado (Enemy, 2014)

Retirei esse DVD  na sexta-feira junto com outros 3. Escolhi esse devido a indicação do atendente. Na verdade ele não indicoooooou. Era um lançamento e ele disse que queria ver e perguntou se eu já tinha visto. NOTA MENTAL: Nunca mais entender isso como uma indicação...




Sinopse: Um pacato professor de história descobre acidentalmente a existência de um sósia seu, um ator, quando assiste a um filme banal. Ele, então, resolve ir atrás de seu duplo, envolvendo sua namorada e a esposa dele, em uma trama de suspense que muda a vida a vida de todos os personagens.

Elenco: Jake Gyllenhaal, Jake Gyllenhaal (sim, eu também não acredito que vi um filme com DOIS Jakes Gyllenhalls), Mélanie Laurent, Sarah Gadon e Isabella Rossellini (por tipo, 3 segundos).

O  diretor Denis Villeneuve é digno de menção. Eu incrivelmente sabia quem era, pois a caixinha do DVD mencionava dois de seus filmes: "Incêndios" e "Os Suspeitos", que eu já vi. Na verdade, de todos os três filmes dele já citados aqui até agora, "INCÊNDIOS" é o que eu devia estar escrevendo sobre. É muito bom. Interessantíssimo!

Já "O Homem duplicado"... Pff! Se fosse um homem único seria mais ou menos ruim, duplicado então...

Sobre os atores: Jake Gyllenhaal nunca me chamou atenção em nenhum papel, apesar de eu conseguir citar alguns de seus trabalhos: "O dia depois de amanhã","Amor e outras drogas" e "Contra o tempo".  Ele é irmão da também atriz Maggie Gyllenhaal.
Mélanie Laurent, a namorada de uma das versões de Jake, é a Shoshana/Emmanuelle Mimieux em "Bastardos Inglórios" e também atuou no filme "O Truque de Mestre", como uma detetive misteriosa.


O FILME QUE EU VI...


"O caos é uma ordem por decifrar" (citação na abertura do filme)

A história é baseada no livro homônimo de José Saramago. Não li o livro, tenho um pouco dificuldade (eu preciso de parágrafos e capítulos, sinto muito) e preguiça com os títulos dele. Apesar da minha dificuldade de lê-lo, as histórias que eu conheço são muito interessantes e peculiares.


Tendo dito isso, acho que esperava um filme bem diferente. Algo mais político e filosófico, bem mais concreto do que recebi. O filme confunde o espectador de propósito, entendi isso. Já vi filmes assim, e achei bastante legal quando no final houve uma "moral", um gancho, mesmo que pequeno, para que eu pudesse elaborar uma teoria sobre o que vi. Esse não tem. Ou se tem, não peguei...


Busquei resenhas sobre o livro e o filme, para me ajudar a elaborar o que tinha acabado de sofrer visualmente. Já tinha feito isso após ver outros filmes interessantes e misteriosos, como por exemplo "2001 - Uma odisseia no espaço". Sabe aquele final do 2001, com o bebê e o quarto e tal? Pois é, encontrei várias teorias que me ajudaram a começar a compreender o final do filme e criar a minha própria ideia sobre ele, mas nesse aqui não.


Em "O Homem Duplicado" o dilema me pareceu ser falar sobre o "ser" versus o "querer ser", sobre a busca de si mesmo nos tempos atuais. Agora, me diz, o que o clube erótico e a grande aranha tem a ver com isso? 


Uma das resenhas que li, menciona que a aranha é cheia de simbolismos (aguardem aqui uma coluna de curiosidades sobre a aranha, assim como fiz a do corvo).  Aí, compartilho com vocês minha única extrapolação a respeito da aranha na trama. Um dos Jakes era casado e o outro tinha uma namorada um pouco esporádica ao meu ver. Isso, para mim, se relaciona com o fato de muitos homens se sentirem "presos na teia da aranha" ao estarem em um relacionamento sério, tipo casamento, mas é só até aí que eu vou.


Quem me conhece pessoalmente sabe que minha imaginação é bem ativa, mas com esse filme, eu falhei. Não viajei na maionese suficiente para conseguir digerir essa duplicidade de Jakes aí... Desculpe aí, 'Sara'!


Nenhuma das atuações é memoravelmente boa ou ruim. O Jake é razoável, pois percebe-se diferenças entre os dois homens interpretados por ele, mas em certo ponto do filme, a gente se confunde. Isso não é problema de atuação: creio que era proposital. 


E cá estou eu, uma vítima do propósito, buscando encontrar uma ordem no caos dessa película, enquanto o Jake e muitos outros homens contemporâneos buscam ordenar seus caos interiores. 


Será que era isso?


Recomendaria? Somente para quem leu o livro de Saramago e gostou, ou para quem gosta de filmes malucos e filosóficos, sem conclusão.

Veria de novo? Não.